Por Marck Dee
Slavoj Žižek (repita conosco: Is-la-vói Gi-jze-quê. Isso mesmo.) é um agora velho, mas outrora jovem, estudante, sociólogo, filósofo e psiquiatra teórico, além de crítico político e cinéfilo de plantão fã de Hithcock. hoje em dia quebra um galho de professor da Faculdade, e palestrante em uns lugarzinhos por ai.Mas, falaremos dele pelo que ele pensa a respeito de coisas como O Real, o real e a realidade.
O real
Segundo Žižek, esse negócio de "real" (com r minúsculo) resulta ser um termo bastante enigmático e pouco palpável, e não deve ser equiparado e nem confundido com a Realidade (essa com r maiúsculo), porque a Realidade é algo que não conseguimos conceber, assim, construímos nossa realidade (olha o r, olha o r) simbólicamente, de maneira individual e coletiva;
O Real
O Real
O Real, pelo contrário, é um núcleo duro, algo traumático que não pode ser simbolizado, ou seja não pode ser representado ou sequer expressado, e pouco pode ser compreendido. O Real para a nossa percepção não teria então uma existência positiva, pois só podemos compreender como existente aquilo que vemos em nossas limitações, o Real, apesar de sua natureza existe para nós em abstração. O que não o torna menos Real.
A realidade
A realidade é assim realidade (olha o r) por ser desmascarada como uma ficção; para isso Žižek diz que basta ver através de lentes específicas, que as vezes ele chama de pontos indeterminados, que tem a ver com antagonismo social, com a vida, a morte, e a sexualidade. Esses aspectos de crueza quando não crueldade são tabus em nossa sociedade.
Para tentar simbolizar a realidade, temos que enfrenta-la com estes aspectos. Pois o Real na realidade não compõe uma realidade atrás da realidade, mas sim compõe o vazio que deixa a própria realidade incompleta e inconsistente. É o que ele chama de o espectro do fantasma, onde o próprio espectro em si é o que distorce a nossa percepção da realidade.
- O "Real simbólico": o nível de compreensão em que conseguimos arranhar o Real e reduzi-lo a uma forma que nos faça significante, mas de pouco ou mesmo sem um sentido (como em física quântica, que como toda ciência parece arranhar o real mas só produz conceitos apenas parcialmente compreensíveis)
- O "Real real": uma coisa horrível, um monólito pesado comprimido e incompreensível, segundo Žižek é a representação dele que transmite o sentido do terror nas películas de terror.
- O "Real imaginário": algo insondável que permeia todas as coisas como um pedaço do sublime. Esta forma do real torna-se perceptível em atos simbólicos, que não necessariamente estão presentes, mas nem por isso são menos reais.
É complexo, e vale lembrar que isso é uma interpretação simplificada ao máximo e logicamente mais pobre que a leitura do original.
Uma ultima coisa, Žižek fala que a psicanálise ensina que a nossa realidade pós-moderna, não deve ser vista como uma narrativa, como uma história linear, mas sim, vista da forma como o sujeito o há de reconhecer, suportar e ficcionar o núcleo duro do real dentro de sua própria ficção, assim, a realidade se torna, individual.
@Marck Dee: Eu queria que você indicasse suas fontes.
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