"Somos como um espelho, então se um macaco olha não vê um Sábio no reflexo.
Você q
uer banana?"

sexta-feira, março 25, 2011

A Prisão da Linguagem #02 - pt-Prime!

Por Marcok

Antes, para um maior aproveitamento/entretenimento/encheção de saco,  Leia a Parte #01 - Obrigado Aristóteles

Continuando os posts sobre a Prisão da Linguagem, vamos lembrar que, A lógica aristotélica foi legal, mas tem suas limitações, e não são poucas. E que a má interpretação ou o não-pensar sobre as implicações do uso da lógica do titio Aristóteles, deu margem para justificar muita merda.  

E como somos boas pessoas, Legais & Otimistas, propomos a solução: 

Banir a lógica aristotélica do vocabulário. Pronto, simples assim.

Estamos acostumados com afirmações do tipo "A relva é verde", porém ignoramos convenientemente - se não para nós, para alguém - que cada frase contendo o verbo ser contém igualmente uma falácia (que para quem não sabe, na retórica e na própria lógica, é o nome dado a um argumento logicamente inconsistente). A relva, em si, não "é" verde, nem nunca foi, isso é ser simplista, são nossos olhos, um dos cinco instrumentos biológicos que (mal)usamos para interpretar a realidade que nos rodeia que através da luz, geram aquilo que designamos pela cor verde. Deu para entender?


Para ser mais estranho ainda, existe uma probabilidade extremamente provável que o que você considera verde, seja gritantemente diferente do que outra pessoa considera também verde. 

Pense, como isso também é engraçado, as pessoas do meio científico se gabam de nós pobres mortais, por  terem uma interpretação absoluta da realidade através de instrumentos de análise como raios-X, infra-vermelhos ou microscópio, e outras trakitanas caríssimas, mas não citam, ou não consideram se que tudo o que esses instrumentos apontam, não são em nada o absoluto do universo, malemar aponta com detalhes apenas a parte desse universo que nossos instrumentos biológicos, vulgarmente chamados de sentidos conseguem interpretar. Somos cegos em um mundo de cores.

Mas voltando as palavras, um cara chamado Robert Anton Wilson, maluco chapado de LSD de uma forma que nós jamais conseguiremos conceber, quanto mais repetir, costuma abrir  ou pelo menos citar em suas palestras o seguinte enigma Zen:

"Quem "é " o que faz a relva verde?"

Que como um bom enigma Zen, não tem uma resposta absoluta, ainda mais quando dito por um loucaço genial que parece seguir a escola Rinzai (da qual somos adeptos de suas interpretações mais absurdas). Ou seja, o verde, e a resposta passam pelo sistema nervoso humano e assim são interpretadas, logo, somos nós que criamos nossa realidade. E ainda temos a prepotência de achar que essa realidade "é" absoluta. 

P: Ok, nada existe com certeza como pensamos, a própria verdade se torna relativa, e "logicamente" deveria ser trocado por "acho que", o que eu faço agora, perco as esperanças no mundo e tiro minha vida?
R: Não! espera para fazer isso quando ler (e falarmos) sobre Nietzsche.  

Agora, a solução: 
Kor...korzy..algo assim!
Existe (e eu nem sabia, descobri durante a pesquisa para o post) uma proposta chamada Pt-Prime, baseada na idéia de alguns físicos teóricos e matemáticos quânticos, daqueles que não tem vogais nos nomes, como Korzybski. Onde se pensa sem a lógica aristotélica direta e de quebra ainda se fortalece o pensamento escrito e se clarifica conceitos. A proposta é simples: 

Exclua todas as formas de SER do vocabulário. 

Por exemplo, "o filme era bom" vira, "eu gostei do filme" ou "o filme me divertiu e agradou", entenda, "bom" é vago e não denota qualidade, nem criticidade, e sim um certo conformismo com a desgraça do filme! 
ou ainda, para usar exemplos do livro Psicologia Quântica do Robert A-LSD-Wilson: 
O foton é uma onda; O foton é uma partícula; O João é infeliz; O João é feliz; Isso é uma idéia fascista; Beethoven é melhor que Mozart;  A relva é verde;
Em Pt-Prime se tornaria algo como: 
O foton se comporta como uma onda quando observado por certos instrumentos; O foton parece uma partícula quando observado por certos instrumentos; O João parece infeliz no escritório; O João parece feliz na praia; Isso me parece uma ideia fascista; No meu presente estado de educação musical e ignorância, Beethoven me parece melhor que Mozart; A relva parece possuir a cor verde de acordo com a maior parte dos olhos humanos;
Qual das duas propostas é mais explicita e menos ofensiva? (Isso é uma idéia facista! ou Isso me parece uma idéia facista;) Deu pra sacar?

Essa é a Proposta do Pt-Prime!
Estude e veja a diferença, faça uma experiência, e veja se as coisas se esclarecem para você.
Ao longo do tempo a clareza de idéias é tanta, que até o Se ou Talvez deixa de existir na incerteza e caminha para a possibilidade. 

No próximo post: A Prisão da Linguagem #03 - A culpa é dos Mamíferos 

P.S.: Discordianos e Caotistas são aconselhados a fazer suas anotações assim.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Escreva, vai, pode falar!